quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A Batalha de Iwo Jima (Operação Detachment) foi travada entre os Estados Unidos e o Japão, entre fevereiro e março de 1945, durante a Guerra do Pacífico, na Segunda Guerra Mundial. Como resultado da batalha, os EUA ganharam controle da ilha de Iwo Jima e os campos aéreos localizados nessa mesma ilha.
O combate foi intenso, em parte devido à preparação japonesa, e as tropas norte-americanas capturaram o ponto mais elevado da ilha, o Monte Suribachi, perdendo 6.812 homens. O motivo para a invasão de Iwo Jima era capturar os seus campos aéreos de modo a fornecer um local de aterrissagem e de reabastecimento para os bombardeiros norte-americanos no avanço para o Japão, enquanto também tornava possível a escolta dos bombardeiros por caças.
A imagem mais famosa desta batalha é o hasteamento da bandeira norte-americana pelos marines no cume do Monte Suribachi.


Memorial que recria a famosa imagem da tomada da ilha e o hasteamento da bandeira americana.





Nos primeiros dias de 1945, o Japão viu-se à beira de uma possível invasão pelas forças Aliadas. Bombardeamentos diários na ilha principal eram originários das ilhas Marianas, numa operação com o nome de Scavenger. Iwo Jima servia como uma estação de alerta, que reportava movimento aéreo de volta para a ilha principal do Japão. Quando os bombardeiros Aliados chegavam às cidades Japonesas, as defesas antiaéreas já estariam aguardando por eles.
No fim da Batalha do Golfo de Leyte nas Filipinas, os Aliados tinham ficado com dois meses de atraso em suas operações. O plano anterior, a invasão de Okinawa, não era mais aceitável. Mas mesmo assim, a decisão de invadir Iwo Jima foi tomada. A invasão foi chamada de Operação Detachment.
As defesas estavam prontas. A ilha era defendida por 22.000 soldados e estava fortificada com uma rede de bunkers e túneis. O alvo da defesa de Iwo Jima era causar muitas baixas nas forças aliadas e desanimar a invasão da ilha principal. Era esperado que cada soldado morresse pela defesa da pátria, levando 10 soldados inimigos no processo.
Os aliados não queriam apenas Iwo Jima para neutralizar a ameaça aos seus bombardeiros e navios de carga, mas também para usar os seus campos aéreos para bombardeamento e aterragens de emergência. Em 19 de Fevereiro de 1945 iniciaram um massivo bombardeamento aéreo e naval de três dias na ilha.

Preparações defensivas japonesas

Tenente-general Tadamichi Kuribayashi, comandante das tropas japonesas na Batalha de Iwo Jima
Mesmo antes da Queda de Saigon em Junho de 1944, os estrategistas japoneses sabiam que Iwo Jima teria de ser reforçada materialmente caso fosse para ser mantida durante algum tempo, e preparações começaram a ser efetuadas para enviar um grande número de homens e grandes quantidades de material para a ilha. Em finais de Maio, o tenente-general Tadamichi Kuribayashi foi chamado ao escritório do Primeiro Ministro, general Hideki Tojo, que informou que o general havia sido escolhido para defender Iwo Jima até ao fim. A Kuribayashi foi indicada a importância da sua missão, a Tojo coube apontar os olhos da nação inteira, que estariam focados na defesa de Iwo Jima. A 8 de Junho de 1944, Kuribayashi estava a caminho da sua missão final, determinado a converter Iwo Jima numa fortaleza invencível.
Quando chegou, estavam cerca de 80 caças colocados em Iwo Jima, mas por volta de inícios de Julho restavam apenas quatro. Uma força da Marinha dos Estados Unidos apareceu perto da ilha e sujeitou os japoneses a um bombardeamento naval durante dois dias. Este bombardeamento destruiu todos os edifícios na ilha, bem como os quatro aviões restantes.
A grande surpresa para a guarnição japonesa em Iwo Jima, uma invasão norte-americana da ilha, não se deu durante o verão de 1944. Existiam poucas dúvidas quanto aos norte-americanos serem compelidos a atacar a ilha em curto tempo. O general Kuribayashi estava determinado, mais que nunca, a aumentar o custo da tomada de Iwo Jima quando os invasores atacassem. Sem apoio naval ou aéreo, chegou-se rapidamente à conclusão que a ilha não poderia ser indefinidamente mantida pelas forças japonesas, contra um invasor com supremacia aérea e naval.
Como um primeiro passo para preparar Iwo Jima para uma defesa prolongada, o comandante da ilha ordenou a evacuação de todos os civis. Este passo foi terminado no final de Julho. Em seguida veio um plano geral para a defesa da ilha. O tenente-general Hideyoshi Obata, comandante-geral do 31º Exército, tinha anteriormente, em 1944, sido responsável pela defesa de Iwo Jima, antes do seu retorno para as Marianas. Nesse tempo, e com fé na doutrina que a invasão tinha praticamente de ser travada na borda da água, Obata tinha ordenado a colocação de artilharia e a construção de bunkers perto das praias. O general Kuribayashi tinha ideias diferentes. Em vez de um esforço fútil para manter as praias, Kuribayashi planejou defender essas mesmas com um sistema de fogo cruzado fornecido por armas automáticas e infantaria. Artilharia, morteiros e foguetes seriam posicionados nas encostas do Monte Suribachi, tal como noutros terrenos altos ao norte do campo aéreo de Chidori.
Dia-D

Desembarque na ilha de Iwo Jima

Memorial que recria a famosa imagem da tomada da ilha e o hasteamento da bandeira americana.
Às 02:00 da manhã de 19 de Fevereiro, navios de guerra assinalaram o início do Dia D. Em breve 100 bombardeiros atacaram a ilha, em seguida outra rajada de artilharia naval. Às 08:30, os primeiros dos eventuais 30.000 fuzileiros da 3ª, 4ª e 5ª divisão de fuzileiros, sobre a V Corporação Anfíbia, desembarcaram na ilha Japonesa de Iwo Jima, e a batalha pela ilha começou.
Os fuzileiros foram recebidos com fogo pesado proveniente da montanha de Suribachi, ao sul da ilha, e combateram em péssimo terreno; cinza vulcânica áspera que não permitia nenhum movimento seguro ou escavação de uma trincheira. Não obstante, por essa noite a montanha tinha sido cercada e 30.000 fuzileiros navais tinham desembarcado. Aproximadamente 40.000 mais estavam por vir.
O movimento acima de Suribachi foi combatido por cada metro. A artilharia era ineficaz contra os Japoneses, mas os atiradores, lança-chamas e granadas limpavam os bunkers. Finalmente, a 23 de Fevereiro, o cume foi alcançado. O fotógrafo Joe Rosenthal da Associated Press tirou a famosa foto "Raising the Flag on Iwo Jima" (Subindo a bandeira em Iwo Jima) da bandeira estado-unidense sendo colocada no cume da montanha.
Com a área de desembarque segura, mais Fuzileiros e equipamento pesado chegaram à costa e a invasão procedeu para norte, para capturar as bases aéreas e o resto da ilha. Com a sua bravura habitual, muitos soldados Japoneses combateram até à morte. De mais de 21.800 defensores, apenas 200 foram feitos prisioneiros.
As forças Aliadas sofreram mais de 26.000 baixas, com mais de 7.000 mortos. Mais de um quarto das Medalhas de Honra que foram atribuídas a fuzileiros durante a Segunda Guerra Mundial foram dadas pela sua conduta em Iwo Jima.
A ilha de Iwo Jima foi declarada segura em 26 de Março de 1945.
A marinha estado-unidense atribuiu o nome de USS Iwo Jima a vários barcos. Consultar USS Iwo Jima para detalhes.





terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A Linha Maginot

André Maginot (17 de Fevereiro, 18777 de Janeiro, 1932) foi um soldado e membro do parlamento francês, mais conhecido por ter idealizado a Linha Maginot.

A Linha Maginot (francês ligne Maginot) foi uma linha de fortificações e de defesa construída pela França ao longo de suas fronteiras com a Alemanha e a Itália, após a Primeira Guerra Mundial, mais precisamente entre 1930 e 1936. O termo linha Maginot designa às vezes o sistema inteiro, e às vezes unicamente as defesas contra a Alemanha. As defesas contra a Itália são chamadas linha Alpina. O complexo de defesa possuía várias vias subterrâneas, obstáculos, baterias blindadas escalonadas em profundidade, postos de observação com abóbadas blindadas e paióis de munições a grande profundidade.
Origens e Construção
O primeiro a propor a construção de um sistema de defesa ao longo da fronteira alemã foi o Marechal Joffre. O princípio da linha Maginot, do nome de seu maior promotor André Maginot, um veterano mutilado da guerra de 1914-1918, foi debatido na França durante quase 10 anos pelo Conselho Superior de Guerra, sob a presidência do marechal Pétain. Os planos definitivos foram aprovados em 1929 por Paul Painlevé, então ministro da Guerra.
Neste mesmo ano, o Parlamento votou um primeiro financiamento de mais de 1 bilhão de francos franceses, e os trabalhos começaram em 1930. Os trabalhos foram realizados pela STG (Section Technique du Génie), sob a supervisão da CORF (Commission daOrganisation des Régions Fortifiées). Maginot tornou-se ministro da Guerra em 1929 e foi um ardente defensor da fortificação, mas morreu de intoxicação alimentar por ostras em 1932 e jamais pôde ver realizado seu grande sonho de defesa.
A maior parte dos trabalhos estava terminada em 1936, no momento em que a ameaça hitlerista parecia lhe dar toda a justificação de que precisava: era a mais formidável linha defensiva militar jamais construída no mundo, e era de grande complexidade tecnológica e militar. Seu custo total foi de 5 bilhões de FF (da época). A linha Maginot era composta de 108 edificações principais (fortes) a 15 km de distância uns dos outros, mais edificações menores e casamatas, e mais de 100 km de galerias.
O Ataque Alemão
A linha Maginot não evitou a derrota da França no início da II Guerra Mundial em 1940, na medida em que as divisões alemãs a contornaram atacando a região de Sedan, além da sua extremidade oeste. Os exércitos aliados foram, assim, cortados ao meio: uma parte das tropas francesas, inglesas e belgas foram cercadas e empurradas até as praias de Dunquerque, para onde os britânicos enviaram centenas de embarcações para recuperar os soldados presos nessa armadilha, no que ficou conhecido como a Operação Dínamo. As tropas do leste e regimentos dispostos atrás da linha ficaram presas entre a fronteira alemã e as divisões mecanizadas alemãs, que haviam alcançado a fronteira suíça.
No início de junho as forças alemãs já haviam isolado a linha do resto da França, e o governo francês já dava sinais que aceitaria um armistício, que foi assinado em 22 de junho em Compiègne. Mas a linha ainda estava intacta e ocupada por um número considerável de oficiais desejando manter a posição e continuar a guerra; o avanço italiano foi contido com sucesso. Ainda assim, Maxime Weygand assinou a rendição e as tropas foram feitas prisioneiras.
Um Erro Estratégico
A falha da linha Maginot deve-se ao fato de que ela não se estendia até o Mar do Norte. Por diversas razões, entre as quais a falta de tempo e de financiamento, sua construção foi interrompida a 20 km a leste de Sedan, em Montmédy, fazendo face à fronteira alemã, ao Grão-Ducado de Luxemburgo e a uma parte da fronteira franco-belga. O segmento Longuyon-Lauterbourg era particularmente reforçado, com edificações equipadas de artilharia pesada, enquanto que as defesas do Reno e a oeste de Longuyon eram menos fortes. Certas partes não haviam recebido o equipamento que lhes era destinado no momento da declaração da guerra. Além disso, a neutralidade da Bélgica confortava os argumentos daqueles que não acreditavam em uma ofensiva inimiga a oeste da linha Maginot.
Foi assim que se desenvolveu um sentimento de segurança com a linha Maginot, onde praticamente cada francês estava convencido de que estava protegido de toda agressão alemã. No entanto, era preciso ser ingênuo ou incompetente para imaginar que a linha pudesse resistir suficientemente a um ataque violento e localizado, apoiado pela artilharia pesada e pela aviação moderna. Sem contar com a tática alemã do Blitzkrieg e de contornamento da linha pelas Ardenas. No pior dos casos, a linha poderia conter um ataque surpresa frontal durante o tempo necessário à França para organizar uma mobilização geral.
Neste contexto, os pedidos ansiosos do general De Gaulle e de Paul Reynaud em 1935 em favor do desenvolvimento de divisões blindadas para assegurar a defesa do território não coberto pela linha Maginot faziam sentido, mas não foram ouvidos. O general Maurin, então ministro da Guerra, durante um debate no Parlamento, respondeu a Paul Reynaud: « Como se pode ainda pensar em termos de ofensiva quando gastaram-se bilhões para estabelecer uma fronteira fortificada ? »
No dia seguinte a essa brilhante declaração, Hitler rasgava simbolicamente o tratado de Versalhes e instituía a conscrição compulsória para 500 000 homens.
A Linha Depois da Guerra
Após a guerra, a linha foi novamente ocupada pelos franceses e beneficiou de algumas modificações. Entretanto, quando a França se retirou da OTAN (em 1966), grande parte das fortificações foram abandonadas. Com o crescimento do política nuclear independente francesa em 1969, a linha foi abandonada pelo governo, com seções postas em leilão público e o resto abandonado.
O termo "Linha Maginot" tem sido usado como metáfora para algo em que se confia apesar da sua ineficiência. Na verdade, ela fez exatamente aquilo para o qual fora planejada, protegendo uma parte da França e forçando o agressor a contorná-la (e os poucos fortes da linha Maginot que foram atacados pelos alemães resistiram muito bem). Como planejada inicialmente, a linha Maginot era parte de um largo plano de defesa, no qual os agressores deveriam encontrar tropas de resistência francesas, mas o planejamento falhou estrondosamente, fazendo com que a linha perdesse completamente sua razão de ser.
Hoje em dia, associações voluntárias restauraram grandes setores da linha e abriram-na à visitação pública, o que atrai muitos turistas à região. Passear pelos túneis e visitar os quilômetros de galerias, fortificações e as diversas dependências (quartos de dormir, cozinhas, enfermarias, arsenais, linhas férreas, etc) é uma experiência enriquecedora.